10 de dezembro de 2015

Direitos Humanos: uma luta de todos!

Hoje é dia Internacional dos Direitos Humanos, vocês sabem, há dias para tudo, dia da terra, dia do livro, dia da água, e ainda bem que há um dia em 365 que seja para celebrar os Direitos Humanos. Mas este dia não foi escolhido aleatoriamente, foi no dia 10 de Dezembro que a Assembleia Geral das Organização das Nações Unidas proclamou, em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, assinada por 58 estados. Esta tinha como objetivo promover a longo prazo a paz e a integridade humana após os massacres da II Guerra Mundial. É também neste dia que se entrega o Prémio Nobel da Paz, em Oslo, este ano atribuído ao Quarteto de Diálogo para a Tunísia.

Acho que o dia de hoje é muito especial para deixar em branco, isto porque nós não fazemos ideia das milhares de pessoas que sofrem todos os dias com atentados muito graves à sua integridade, os direitos humanos são muito mais abrangentes do que nós podemos imaginar, todas as pessoas são iguais, são livres, têm o direito à dignidade, ao amor, à liberdade de pensamento, à educação, à democracia, são trinta direitos que abrangem todas as áreas que nos fazem livres e iguais perante a lei e perante outros.*

Vocês não acham impensável que no século XXI ainda há pessoas que vivam em regimes nos quais não se possam expressar, ainda existem estados autoritários no mundo e não são assim tão poucos; ou por exemplo, pessoas (incluíndo crianças) que não têm direitos e regulamentação básica de trabalho, que trabalham mais de doze horas por dia e não recebem quase nada em condições sub-humanas? Mas existe. Hoje fiquei ainda mais chocada, estava a estudar uma situação específica no Quénia, e no seguimento do presidente Ruto ter publicamente afirmado que, passo a citar, não há espaço para homossexuais no Quénia, ao continuar a pesquisa descobri que em 36 dos 54 países africanos a homossexualidade é ilegal, sendo punível por lei, em quatro deles esta mesma punição pode chegar à pena de morte. Digam-me agora, que mundo é este? Onde as escolhas pessoais, amorosas levam à morte.

Sempre fui muito sensível a este assunto, sempre achei que quando uns sofrem a luta deve ser de todos na tentativa de travar estes desrespeitos de um direito que devia ser comum a todas as pessoas, independente do género, da idade, da raça, da crença, de tudo. Somos todos iguais, nascemos todos da mesma maneira, temos todos uma cabeça, dois braços e duas pernas (se não houver nenhum problema) e ainda assim há olhos que não conseguem ver as semelhanças, só sabem ver as diferenças, diferenças essas que não são nenhum obstáculo, muitas vezes são  caminho.

Eu só gostava que, para o próximo ano, neste mesmo dia muitas das pessoas que hoje sofrem com todas estas violações pudessem respirar de alívio e sentir a liberdade, ver a igualdade, tocar na fraternidade, gostava que milhares de crianças que nunca souberam  que é viver num ambiente em paz, e só por isso têm muitos dos seus direitos violados, pudessem conhecer esta realidade. Espero que no próximo ano o mundo seja um lugar melhor, e muitas mais pessoas possam saber o que é viver uma vida plena.

Este texto não é nada de especial, é só uma tentativa de mobilização, de chamada de atenção, porque todos sabemos que a vida não é justa, que o mundo não é justo, mas não é por isso que temos que colaborar com a injustiça, não é por isso que temos que fechar os olhos, uma pequena ajuda, por mais pequena que nós achemos que seja, ela já representa mudança, já representa desenvolvimento, já fez a diferença na vida de alguém, mas quando ficamos calados e de braços cruzados estamos a aceitar tudo isto, ao ignorar estamos a dar poder aos opressores, e não é isto que nós devíamos fazer. Somos uns privilegiados, eu sou uma privilegiada, nunca estive num cenário de guerra, nunca estive privada de nada, nunca passei fome ou necessidades, mas sei que há quem passe, sei que há quem sofra, mas também sei que posso ajudar a mudar, se alguém ler este texto e ajudar, já estou a combater a injustiça. Nós fazemos o que podemos, mas vamos tentar poder sempre mais e mais.

A todas as vítimas, a todos as meninas e meninos, a todos aqueles que gostavam de poder escrever um texto livremente e não podem, a todos que passam fome, a todos que vivem a opressão, a todos que não são considerados iguais, a todos os que não podem ser quem são verdadeiramente, a todos que queriam estudar e não podem, a todos os que sofrem, é o que vos posso dar por agora, um dia espero poder dar a liberdade e a igualdade e tudo o resto que como HUMANOS merecem!


10 de Dezembro de 2015
Carolina Alves Simioni

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*Se estiverem interessados em saber quais os direitos que a Declaração contempla, podem ir ao website Youth for Human Rights, têm os direitos resumidos em linguagem mais acessível e uns vídeos muito giros para os trinta direitos, está em inglês mas se forem a este website podem ver os mesmos vídeos legendados, vale a pena!

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