Lembro-me como se fosse hoje o dia que saí de casa, duas malas, uma mochila, o coração apertado, um monte de vontades e tantos medos, tantos. Uma menina, inocente era como me sentia, ninguém imagina o medo que eu senti, mesmo sabendo o quão segura é a Suécia, tinha tantas saudades de casa, só queria no meio da multidão, encontrar os meus pais para eles me dizerem o que fazer a seguir. Quando cheguei o tempo estava chuvoso, estava verde, estava lindo. Parecia que nunca tinha saído de casa a querer ver tudo e a não conseguir processar nada. Mas pareceu-me que eu ainda não tinha caído na realidade, eu estava a explorar, Estocolmo e depois Uppsala, como se estivesse a viajar; o pior foi quando cheguei a minha casa, em Flogsta, longe de tudo, deserto (da saga Coimbra em Agosto), chuvoso, cinzento e o pior, sem internet. Aí doeu, o pior fim de semana da minha vida, mas melhorou, principalmente quando a internet chegou.
Os próximos dias, semanas e meses foram o mesmo, estudar estudar, estudar, passear e estudar. Aprendi a cozinhar, a lavar a roupa, a cozer (entre outros), mas eu aprendi muito mais que as relações internacionais, que o desenvolvimento, ou até que as lides da casa. Aprendi sobre a vida aquelas lições que ela nos ensina, as valiosas; aprendi sobre mim também, sobre a Carol/ a Simi/ a Tété, a filha, a irmã, a neta, a prima, a afilhada, a amiga, a madrinha. Aprendi sobre todos aquelas situações que sempre pensamos que não nos vai acontecer mas acontece. Aprendi a desenrascar-me; aprendi que temos que viver com as nossas decisões, e nem sempre fazemos as melhores; aprendi que às vezes a vida consegue complicar, quando tudo o que queremos é simplicidade, mas sobretudo aprendi o verdadeiro sentido da palavra saudade. No outro dia li que saudades pode ser várias coisas, saudades pode ser sentir fome com o coração (gostei desta), pode ser bocadinhos de amor que ficam no coração, saudade é, sem dúvida, a minha palavra favorita, porque nós nunca a conseguimos explicar, nós só a podemos sentir, e eu senti um significado diferente para esta palavra. Saudade é querer tocar e não poder; saudade é querer cheirar mas a memória começa a não deixar; saudade é querer ficar perto nem que seja para desatinar. Mas sabem qual é a melhor coisa (ou pior) da saudade? Ela faz querer ficar perto de quem está longe.
Esta experiência toda mudou-me a vida, eu sinto-me muito diferente e parece que todos estão iguais, parece que nada mudou por aqui, mas chega a uma altura que parece que já não me enquadro, por ter estado tanto tempo longe, por ter adquirido outros hábitos parece que tudo mudou, mas não, é tão maravilhoso ao mesmo tempo que é estranho voltar a casa. Cresci, aprendi a lidar com algumas situações da vida, aprendi que nem sempre é tudo como queremos e a vida desilude. Sofri em Erasmus, não vou mentir, sofri em primeiro lugar porque tinha muitas saudades de casa, tinha saudades dos meus pais e da minha família; sofri porque sei que "perdi" pessoas que eram muito importantes, e as pessoas nem sempre são justas, nem sempre nós sabemos lidar com situações mas foi também isso que me fez crescer; sofri porque senti falta das minhas amigas nas aulas; sofri porque queria ir sair com os meus amigos, porque eles me conhecem, porque eles já sabem como eu sou, as minhas manias, as minhas chatices e porque fazer amigos em um mês em Erasmus é uma ilusão; não me interpretem mal, eu fiz amigos em Erasmus que sei que vou ser amiga sempre, mas foram dois ou três, no início é tudo lindo, somos todos amigos e é incrível mas depois quando convivemos com as pessoas, aí é que sabemos como elas verdadeiramente são; mas é bom para perceber a vida, é mesmo assim.
Eu nunca pensei que ia sentir tanta falta de Portugal como senti, Quando uma pessoa vai embora ela sempre acha que o seu país é isto e aquilo, mas após estar tanto tempo longe nós apercebemos-nos que Portugal tem muitos defeitos, mas é o nosso querido país!!
Mas esta experiência também me permitiu conhecer tanta gente, gente diferente, culturas diferentes, países distantes, conheci pessoas do: Brasil, Estados Unidos, México, Chile, Argentina, Venezuela, Colômbia, Canadá, Espanha, França, Inglaterra, Alemanha, Suiça, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Rússia, República Checa, Roménia, Itália, Bélgica, Lituânia, Nigéria, Senegal, Tanzânia, Zimbabwe, Ruanda, Somália, África do Sul, Tunísia, Iraque, Vietname, Indonésia, Israel, Malásia, Índia, China, Cambodja, Correia do Sul, Taiwan, Singapura, Sri Lanka, Japão e Austrália (pelo menos que me lembre!), agora imaginem a quantidade de culturas diferentes a conviver!
Posso dizer que tive experiências que nunca imaginei, eu vi a Aurora Boreal, estive a viver com uma temperatura de menos trinta graus centígrados (- 30ºC), vi alces, vi ficar de noite às três da tarde e vi o sol estar a raiar até às dez da noite, vi nevar, vi gelo, experiênciei grandes quedas de bike, cortei cabelos, fui votar à embaixada, enfim, vivi mil aventuras!
Tive também de ter umas visitinhas para aquecer o meu coração, os meus avós foram os primeiros e foi tão bom, já estava há três meses longe e senti-me tão em casa, só não queria que eles tivessem ido embora! Depois do meu aniversário, vieram os meus padrinhos e a minha mana, que saudadinhas foi uma força extra antes do Natal e por fim, os meus amigos Duarte e Francisco, que vieram passar a passagem de ano comigo, que booom!
Mas esta experiência também me permitiu conhecer tanta gente, gente diferente, culturas diferentes, países distantes, conheci pessoas do: Brasil, Estados Unidos, México, Chile, Argentina, Venezuela, Colômbia, Canadá, Espanha, França, Inglaterra, Alemanha, Suiça, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Rússia, República Checa, Roménia, Itália, Bélgica, Lituânia, Nigéria, Senegal, Tanzânia, Zimbabwe, Ruanda, Somália, África do Sul, Tunísia, Iraque, Vietname, Indonésia, Israel, Malásia, Índia, China, Cambodja, Correia do Sul, Taiwan, Singapura, Sri Lanka, Japão e Austrália (pelo menos que me lembre!), agora imaginem a quantidade de culturas diferentes a conviver!
Posso dizer que tive experiências que nunca imaginei, eu vi a Aurora Boreal, estive a viver com uma temperatura de menos trinta graus centígrados (- 30ºC), vi alces, vi ficar de noite às três da tarde e vi o sol estar a raiar até às dez da noite, vi nevar, vi gelo, experiênciei grandes quedas de bike, cortei cabelos, fui votar à embaixada, enfim, vivi mil aventuras!
Tive também de ter umas visitinhas para aquecer o meu coração, os meus avós foram os primeiros e foi tão bom, já estava há três meses longe e senti-me tão em casa, só não queria que eles tivessem ido embora! Depois do meu aniversário, vieram os meus padrinhos e a minha mana, que saudadinhas foi uma força extra antes do Natal e por fim, os meus amigos Duarte e Francisco, que vieram passar a passagem de ano comigo, que booom!
Este texto é dedicado a eles, à minha família, aos meus amigos, aos amigos que fiz lá e que sabem que nunca os esquecerei, aos conhecidos e a todos os exploradores do mundo! Sinto-me corajosa, aventureira e orgulhosa!
Obrigada a todos pelos carinhos, pelas mensagens, ajudaram sempre!
Agora ficam com algumas das melhores recordações que tive, são imensas, mas nem têm explicação, falam por si!
Eu pensava que ia sair de Portugal e conquistar a Suécia, mas sabem, foi ela que me conquistou, eu adorei, amei esta aventura e nem por um momento me arrependi de ter vindo para cá, fiquei muito feliz, mas agora confesso, sabe tão bem estar em casa.
A princípio, este blog nasceu para relatar as minhas aventuras em Erasmus, porém descobri que gosto muito de escrever para ele, por isso fiquem atentos, que não fico por aqui!
Beijinhos suecos e agora portugueses,Carol*
















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